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OU SE UNEM AGORA, OU PERDERÃO O FUTURO: O TRIÂNGULO DO SUL PRECISA SAIR DO DISCURSO

Prefeitos e vereadores de Presidente Kennedy, Marataízes e Itapemirim têm a oportunidade histórica de transformar riqueza, diálogo e planejamento em desenvolvimento regional.

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Presidente Kennedy, Marataízes e Itapemirim não podem continuar planejando o futuro como se fossem territórios isolados. Os limites municipais existem nos mapas e nas estruturas administrativas, mas os desafios da população atravessam fronteiras: emprego, mobilidade, turismo, saneamento, qualificação profissional, pesca, agricultura, proteção ambiental e diversificação econômica.

É justamente dessa realidade que nasce o Triângulo do Sul: uma proposta de união política e administrativa capaz de transformar três municípios vizinhos em uma região integrada, competitiva e preparada para o futuro.

Não se trata de apagar a identidade de cada cidade nem de criar mais uma estrutura burocrática. Trata-se de unir forças para conquistar aquilo que, isoladamente, pode ser mais difícil: grandes investimentos, infraestrutura regional, capacitação profissional, promoção turística conjunta e planejamento para o período em que as receitas do petróleo já não tiverem o mesmo peso.

Como ensinou Celso Furtado, “mais do que transformação, o desenvolvimento é invenção, comporta um elemento de intencionalidade”. Em outras palavras, desenvolvimento não acontece por acaso. Precisa ser imaginado, planejado e construído por decisões políticas. Referência sobre o pensamento de Celso Furtado⁠Attachment.png

O Triângulo do Sul pode começar agora

Os prefeitos dos três municípios não precisam esperar uma nova eleição, uma grande empresa ou uma decisão do Governo do Estado. Podem convocar imediatamente uma reunião regional com vereadores, secretários, empresários, universidades, instituições financeiras, entidades sociais, pescadores, agricultores e representantes das comunidades.

O primeiro resultado desse encontro pode ser a assinatura da Carta de Compromisso do Triângulo do Sul, estabelecendo prioridades comuns e um calendário permanente de trabalho.

Na sequência, as prefeituras podem criar um Grupo Técnico Intermunicipal, aproveitando servidores e estruturas já existentes, para desenvolver:

  • um diagnóstico econômico e social integrado;
  • uma carteira regional de projetos;
  • um calendário turístico e cultural conjunto;
  • um plano de mobilidade entre os municípios;
  • uma estratégia de qualificação profissional;
  • um programa de fortalecimento da pesca, agricultura e agroindústria;
  • um mapa regional de oportunidades de investimentos;
  • um plano de transição econômica para reduzir a dependência dos royalties.

O projeto deve dialogar com o planejamento já defendido pelo Triângulo do Sul, incluindo a construção de uma agenda regional de longo prazo, um observatório socioeconômico, uma câmara técnica de captação de recursos e, futuramente, mecanismos de financiamento para projetos estruturantes.

O vereador também precisa assumir seu papel

O Triângulo do Sul não depende apenas dos prefeitos. Cada vereador pode colocar o projeto em movimento dentro de sua Câmara Municipal.

Pode propor audiências públicas, criar uma Frente Parlamentar do Triângulo do Sul, apresentar indicações ao Executivo e defender recursos no PPA, na LDO e no orçamento municipal. As três câmaras também podem formar um Fórum Legislativo Intermunicipal, realizando reuniões conjuntas e acompanhando as metas estabelecidas.

Entre as propostas municipais que podem começar a ser discutidas estão:

  • Política Municipal de Integração do Triângulo do Sul;
  • Programa Municipal de Diversificação Econômica;
  • Sistema Municipal de Indicadores do Desenvolvimento;
  • Programa de Transição Econômica Pós-Royalties;
  • Política de Inovação e Empreendedorismo;
  • Programa de Compras Públicas e Desenvolvimento Local;
  • Calendário Turístico Integrado;
  • Programa Regional de Qualificação Profissional.

Projetos que criem órgãos, cargos ou despesas permanentes devem respeitar a iniciativa do prefeito. Isso, porém, não impede o vereador de apresentar indicações, anteprojetos e propostas construídas conjuntamente com o Executivo.

Riqueza não é sinônimo de desenvolvimento

Os três municípios possuem recursos naturais, localização estratégica, litoral, cultura, turismo, pesca, agricultura e receitas importantes. Entretanto, possuir riqueza não significa, automaticamente, produzir desenvolvimento.

Para Amartya Sen, o desenvolvimento deve ser compreendido como um processo de ampliação das liberdades reais das pessoas. Isso significa que crescimento econômico somente faz sentido quando se transforma em educação, saúde, trabalho, renda, segurança, dignidade e oportunidades. Nações Unidas – abordagem de desenvolvimento humano⁠Attachment.png

É exatamente esse o desafio regional: transformar arrecadação em oportunidades permanentes e recursos temporários em estruturas capazes de servir às próximas gerações.

Paulo Freire também nos recorda que “educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo”. Por isso, a qualificação profissional e a formação cidadã precisam ocupar o centro do Triângulo do Sul. Sem preparar a população local, grandes investimentos podem chegar à região sem produzir o desenvolvimento social esperado.

Uma política acima de partidos e mandatos

O Triângulo do Sul não pode ter dono. Não deve pertencer a um prefeito, vereador, deputado, partido ou grupo político. Precisa ser reconhecido como um patrimônio regional da população.

Sua governança deve ter coordenação rotativa, decisões transparentes, reuniões públicas, participação social e metas acompanhadas por indicadores. O projeto precisa continuar mesmo quando mudarem os governos.

O prefeito que aderir a essa construção não estará diminuindo a autonomia do município. Estará ampliando sua capacidade de entregar resultados. O vereador que defender essa proposta não estará cuidando de outra cidade, mas protegendo o futuro da população que representa.

Os três municípios já possuem riquezas e potencialidades. O que ainda precisam consolidar é uma visão compartilhada de futuro.

Ou Presidente Kennedy, Marataízes e Itapemirim se unem agora para planejar o amanhã, ou continuarão assistindo às oportunidades passarem separadamente.

O Triângulo do Sul precisa sair dos discursos, entrar nas câmaras, chegar às prefeituras e ocupar as ruas. Porque não é apenas um projeto regional: é a decisão política de transformar riqueza em futuro, royalties em legado e três municípios em uma só força de desenvolvimento.

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