Falha no Pix afetou vários bancos no domingo(23); entenda como o sistema funciona
Instabilidade dificultou pagamentos e transferências durante a manhã; serviço foi restabelecido e Banco Central descartou ataque cibernético, vazamento de dados e desvio de dinheiro
Você que é leitor assíduo do Jornal Pérola Capixaba, já me conhece. Se chegou agora, seja bem-vindo: sou o Leonardo Marinho, da coluna de tecnologia. Dei o nome de BLODIGI — mistura de BLOG com DIGITAL — para este cantinho. A missão aqui é uma só: traduzir tecnologia para a vida real, sem termos difíceis.
Imagem gerada por BLOD, IA do BLODIGI
Neste domingo, 23 de agosto, brasileiros que tentaram pagar uma compra ou transferir dinheiro por Pix encontraram dificuldades. Clientes de diferentes bancos e instituições financeiras relataram mensagens de erro, operações que não eram concluídas e demora no processamento.
A instabilidade aconteceu durante as primeiras horas da manhã, aproximadamente entre 6h45 e 8h45. Como as reclamações apareceram simultaneamente em diversas instituições, ficou evidente que não se tratava somente de um problema isolado no aplicativo de determinado banco.
O Banco Central confirmou que houve uma instabilidade nos sistemas do Pix e informou que o funcionamento foi restabelecido ainda pela manhã. Segundo informações divulgadas após a ocorrência, não foram identificados ataque cibernético, vazamento de informações pessoais ou desvio de recursos dos clientes. A causa técnica exata ainda estava sendo analisada.
Bancos como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Santander, Nubank, Inter e C6 Bank apareceram entre as instituições com relatos de dificuldades. O Itaú, por exemplo, orientou os clientes a conferirem o extrato antes de repetirem uma operação, evitando a possibilidade de realizar o mesmo pagamento duas vezes.
Afinal, o que é o Pix?
Embora esteja presente dentro dos aplicativos dos bancos, o Pix não é um aplicativo, uma empresa ou uma moeda diferente do real.
O Pix é o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos. Ele permite transferir dinheiro entre contas em poucos segundos, durante as 24 horas do dia, inclusive aos sábados, domingos e feriados.
Antes de sua criação, transferências entre bancos diferentes eram realizadas principalmente por TED ou DOC, seguindo horários e regras específicas. Com o Pix, a comunicação entre as instituições tornou-se praticamente imediata.
O sistema começou a funcionar oficialmente em novembro de 2020 e mudou profundamente a maneira como os brasileiros pagam contas, fazem compras e enviam dinheiro.
Qual empresa é responsável pelo Pix?
Essa é uma dúvida comum, mas o Pix não pertence a nenhuma empresa privada.
Ele foi criado e é administrado pelo Banco Central do Brasil, uma instituição pública responsável também por regulamentar e supervisionar o sistema financeiro nacional.
Os bancos, cooperativas de crédito, instituições de pagamento e carteiras digitais oferecem o Pix aos clientes dentro de seus próprios aplicativos. Entretanto, todos precisam seguir as regras estabelecidas pelo Banco Central e estar ligados à estrutura do sistema, direta ou indiretamente.
Portanto, Nubank, Caixa, Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Santander, PicPay, Mercado Pago e outras instituições não são proprietárias do Pix. Elas funcionam como portas de entrada para que seus clientes utilizem o sistema.
Como o Pix consegue funcionar entre todos os bancos?
Imagine o Pix como uma grande ponte digital construída pelo Banco Central para interligar as instituições financeiras.
Quando uma pessoa envia dinheiro de um banco para outro, o aplicativo apresenta a ordem de pagamento, mas a operação passa por uma infraestrutura central chamada Sistema de Pagamentos Instantâneos, conhecida pela sigla SPI.
De maneira simplificada, o caminho é este:
O cliente abre o aplicativo do banco e informa a chave Pix, lê um QR Code ou digita os dados da conta;
O banco consulta os dados e apresenta o nome do destinatário para que o cliente faça a conferência;
Depois da confirmação, a instituição envia a ordem de pagamento ao sistema central;
O sistema realiza a liquidação financeira entre as instituições;
O banco de destino recebe a confirmação e deposita o valor na conta do destinatário.
Tudo isso normalmente acontece em poucos segundos.
Algumas instituições participam diretamente dessa estrutura. Outras utilizam uma instituição participante para fazer a conexão. Para o cliente, porém, a experiência costuma ser a mesma: enviar ou receber dinheiro pelo aplicativo onde mantém sua conta.
Para que serve a chave Pix?
A chave Pix funciona como um apelido para os dados bancários. Em vez de informar banco, agência, número da conta e outros dados, a pessoa pode fornecer uma chave mais fácil de usar.
Ela pode ser:
CPF ou CNPJ;
Número de telefone;
Endereço de e-mail;
Chave aleatória;
Dados bancários da conta, mesmo sem uma chave cadastrada.
As chaves ficam relacionadas às contas no Diretório de Identificadores de Contas Transacionais, o DICT, também mantido pelo Banco Central.
É importante entender que a chave não guarda dinheiro. Ela apenas ajuda o sistema a localizar a conta que receberá o pagamento. O dinheiro continua depositado na instituição financeira do cliente.
Por que uma falha pode atingir vários bancos?
Como diferentes instituições utilizam uma infraestrutura central para conversar entre si, uma instabilidade nessa comunicação pode afetar clientes de vários bancos ao mesmo tempo.
Isso não significa necessariamente que todo o sistema tenha parado completamente. Durante a ocorrência de domingo, algumas pessoas ainda conseguiram realizar operações, enquanto outras receberam mensagens de erro.
Uma dificuldade também pode acontecer somente no aplicativo de determinado banco. Nesse caso, clientes de outras instituições conseguem utilizar o Pix normalmente. Por isso, a quantidade de bancos afetados é uma informação importante para identificar a possível origem do problema.
O dinheiro pode desaparecer durante uma instabilidade?
Uma mensagem de erro não significa automaticamente que o dinheiro desapareceu.
A operação pode ter sido recusada, ficar temporariamente em processamento ou ser concluída mesmo que o aplicativo demore para apresentar a confirmação. Por isso, a primeira recomendação é verificar o saldo, o extrato e o comprovante antes de tentar novamente.
Caso o valor tenha saído da conta, mas não tenha chegado ao destinatário, o cliente deve entrar em contato com seu banco e guardar os dados da transação. Não é aconselhável repetir imediatamente um pagamento sem conferir o extrato, pois isso pode resultar em duplicidade.
O que fazer quando o Pix apresentar falha?
Se o Pix não funcionar, mantenha a calma e siga alguns cuidados:
Confira se a internet do celular está funcionando;
Feche e abra novamente o aplicativo do banco;
Verifique o extrato antes de repetir a operação;
Não faça várias tentativas seguidas do mesmo pagamento;
Guarde qualquer comprovante ou mensagem de erro;
Consulte os canais oficiais da instituição financeira;
Se for urgente, utilize outra forma de pagamento, como cartão ou dinheiro;
Procure o atendimento do banco se o valor for debitado e não chegar ao destinatário.
Também é importante tomar cuidado com mensagens falsas. Criminosos podem aproveitar notícias sobre instabilidade para enviar links supostamente destinados à “regularização do Pix”. O Banco Central e os bancos não pedem senhas, códigos de segurança ou instalação de aplicativos por mensagens.
Um sistema que trabalha nos bastidores
Na maior parte do tempo, o usuário enxerga apenas alguns botões no aplicativo: escolhe a chave, digita o valor e confirma. Por trás desse processo simples existe uma grande estrutura tecnológica, conectando instituições financeiras de todo o país durante as 24 horas do dia.
A falha registrada no domingo causou transtornos, mas o sistema foi restabelecido e voltou a funcionar normalmente.
E essa ocorrência também deixou uma curiosidade: embora cada banco tenha seu próprio aplicativo, existe uma enorme ponte digital trabalhando nos bastidores para fazer o dinheiro sair de uma conta e chegar a outra em poucos segundos. Essa ponte é o Pix.