WhatsApp reforça a segurança: veja o que muda e como proteger melhor sua conta
Aplicativo passa a oferecer verificação em duas etapas mais forte, múltiplas chaves de acesso e mais informações sobre chamadas de números desconhecidos
O WhatsApp anunciou uma nova rodada de recursos voltados à segurança das contas. As mudanças chegam em um momento em que golpes digitais, tentativas de invasão e fraudes envolvendo contas de aplicativos de mensagens continuam exigindo cada vez mais atenção dos usuários.
Imagem gerada por Blod – IA do Blodigi
Entre as novidades estão uma versão mais forte da verificação em duas etapas, a possibilidade de adicionar mais de uma chave de acesso — as chamadas passkeys — e a exibição de informações extras antes de atender ligações feitas por números que não estão salvos na agenda.
Segundo a Meta, empresa responsável pelo WhatsApp, o objetivo é dificultar tentativas de tomada de conta e oferecer mais informações para que o próprio usuário consiga avaliar situações potencialmente suspeitas antes de agir.
Verificação em duas etapas fica mais forte
A verificação em duas etapas já existe no WhatsApp há algum tempo e funciona como uma camada adicional de segurança.
Até agora, o recurso utilizava principalmente um PIN de seis dígitos definido pelo próprio usuário.
A novidade é que essa proteção passa a aceitar uma senha mais longa e complexa, permitindo combinações com letras, números e caracteres especiais.
Na prática, isso aumenta a dificuldade para quem tenta assumir o controle de uma conta.
Mesmo que um criminoso consiga obter o código de confirmação de uso único enviado ao usuário, ainda haverá uma segunda barreira para concluir o acesso.
A Meta explica que a nova opção foi criada justamente para tornar esse segundo fator mais difícil de ser adivinhado.
Por que isso é importante?
Um dos golpes mais conhecidos envolvendo WhatsApp ocorre quando criminosos tentam convencer a vítima a fornecer o código de confirmação recebido por SMS ou outro método de autenticação.
Com esse código em mãos, o golpista pode tentar registrar a conta em outro aparelho.
A verificação em duas etapas adiciona uma proteção extra justamente nesse momento.
Por isso, o recurso deve ser visto como uma barreira complementar: ele não elimina os golpes, mas pode dificultar bastante uma tentativa de acesso indevido.
O próprio WhatsApp recomenda ativar a verificação em duas etapas e nunca compartilhar códigos ou credenciais com outras pessoas.
O que são as passkeys
Outra mudança importante está nas chamadas chaves de acesso, ou passkeys.
Elas permitem que o usuário confirme sua identidade utilizando mecanismos já existentes no próprio aparelho, como:
impressão digital;
reconhecimento facial;
código de desbloqueio do celular.
Em vez de depender exclusivamente de códigos enviados por mensagem ou de senhas tradicionais, a passkey utiliza a autenticação protegida pelo dispositivo.
Segundo a Meta, mais de 1 bilhão de pessoas já configuraram uma chave de acesso no WhatsApp.
Agora será possível ter mais de uma passkey
Até então, a configuração de chaves de acesso estava mais limitada a um único registro por conta.
Com a nova atualização, o WhatsApp passa a permitir mais de uma chave de acesso associada à mesma conta.
A mudança pode ser especialmente útil para quem utiliza dispositivos de ecossistemas diferentes, como Android e iOS.
Assim, o usuário pode manter métodos de autenticação ligados a mais de um dispositivo sem depender de uma única chave.
Para verificar a disponibilidade do recurso, o caminho informado pela Meta é:
Configurações → Conta → Chaves de acesso.
Ligações de desconhecidos terão mais contexto
Outra novidade pretende ajudar em uma situação muito comum: receber uma ligação de um número que não está salvo nos contatos.
No Android, o WhatsApp passará a mostrar mais informações sobre quem está ligando.
Entre os dados que podem aparecer estão:
indicação de que o número pertence a outro país;
existência de grupos em comum entre o usuário e quem está ligando.
Essas informações não garantem que uma chamada seja legítima, mas oferecem um contexto adicional antes que o usuário decida atender.
Segundo a Meta, golpistas frequentemente exploram a sensação de urgência para induzir as vítimas a agir rapidamente.
Mostrar mais informações antes da chamada é uma tentativa de reduzir esse efeito.
Informação ajuda, mas não substitui cautela
Esse ponto é importante.
Mesmo que o WhatsApp mostre que existe um grupo em comum ou que o número é brasileiro, isso não significa automaticamente que a ligação seja segura.
Contas podem ser comprometidas, números podem mudar de proprietário e criminosos podem utilizar estratégias de engenharia social bastante convincentes.
Por isso, as novas informações devem ser utilizadas como mais um elemento para avaliar a situação — e não como uma garantia de autenticidade.
Se alguém pedir dinheiro, códigos de confirmação, dados bancários ou informações pessoais durante uma chamada ou conversa, o ideal é interromper o contato e confirmar a identidade da pessoa por outro meio.
A criptografia continua protegendo mensagens e chamadas
As novidades anunciadas não substituem uma das principais tecnologias de segurança já presentes no aplicativo: a criptografia de ponta a ponta.
Segundo o WhatsApp, mensagens e chamadas pessoais continuam protegidas por esse sistema, de forma que o conteúdo fica disponível para os participantes da conversa.
A empresa também afirma utilizar mecanismos automáticos para identificar spam e contas suspeitas, além de alertas de segurança em situações que possam envolver tentativas de tomada de conta.
Segurança do aplicativo e segurança da conta são coisas diferentes
Essa distinção ajuda a entender por que ainda existem golpes mesmo com criptografia.
A criptografia protege o conteúdo enquanto ele é transmitido entre os participantes.
Mas muitos golpes não tentam quebrar a criptografia.
Eles tentam enganar o próprio usuário.
É o caso de alguém se passar por funcionário de uma empresa e pedir um código, ou fingir ser um familiar solicitando uma transferência.
Por isso, proteger o WhatsApp exige tanto tecnologia quanto atenção do usuário.
O WhatsApp já vinha ampliando as proteções em 2026
As novidades de agosto fazem parte de uma sequência de mudanças relacionadas à segurança e à privacidade.
Em janeiro de 2026, a Meta anunciou as chamadas Configurações rigorosas da conta, um modo de proteção adicional voltado especialmente para pessoas sujeitas a ataques cibernéticos mais sofisticados, como jornalistas e figuras públicas.
Ao ativar esse modo, algumas funções passam para níveis mais restritivos. Entre as medidas estão o bloqueio de anexos e mídias de remetentes desconhecidos e o silenciamento de chamadas de pessoas fora da lista de contatos.
Isso mostra uma mudança interessante na estratégia do WhatsApp: em vez de depender apenas de uma única camada de proteção, o aplicativo passa a combinar várias barreiras.
Bloquear e denunciar continua sendo importante
Quando um usuário recebe mensagens ou ligações suspeitas, ainda é possível bloquear e denunciar a conta envolvida.
Segundo a Central de Ajuda do WhatsApp, quando uma conta é denunciada, o aplicativo pode receber parte das mensagens recentes necessárias para analisar a situação.
O WhatsApp também oferece uma proteção capaz de bloquear volumes elevados de mensagens provenientes de números desconhecidos quando determinado limite é atingido.
Como deixar sua conta mais segura
Mesmo com os novos recursos, algumas medidas simples continuam fazendo bastante diferença.
A primeira é ativar a verificação em duas etapas.
Também é recomendável configurar uma passkey sempre que o recurso estiver disponível.
Além disso, nunca compartilhe códigos de confirmação recebidos pelo WhatsApp, SMS ou e-mail.
O usuário também deve desconfiar de mensagens que tentem criar urgência, principalmente quando envolvem dinheiro, alteração de senha ou confirmação de dados.
Outro cuidado importante é utilizar apenas a versão oficial do WhatsApp. O próprio aplicativo alerta que versões modificadas podem representar riscos à privacidade e à segurança da conta.
Antes de atender, observe o contexto
A nova tela com informações sobre chamadas desconhecidas pode parecer uma mudança pequena, mas ela revela uma tendência importante.
A segurança digital está deixando de depender apenas de ferramentas invisíveis e passando também a oferecer mais contexto para a tomada de decisão do usuário.
Um número internacional inesperado, ausência de grupos em comum ou uma ligação realizada em horário incomum podem ser sinais para aumentar a cautela.
Nenhum desses fatores isoladamente significa que existe um golpe, mas todos ajudam o usuário a avaliar a situação com mais cuidado.
A melhor proteção ainda é combinar tecnologia e atenção
As novas ferramentas do WhatsApp tornam a invasão de contas mais difícil e aumentam a quantidade de informações disponíveis para os usuários.
Mas não existe sistema capaz de eliminar completamente golpes baseados em manipulação humana.
É por isso que a segurança digital moderna depende de duas partes funcionando juntas.
De um lado, aplicativos precisam oferecer autenticação mais forte, criptografia, detecção de comportamento suspeito e mecanismos de bloqueio.
Do outro, o usuário precisa evitar compartilhar códigos, desconfiar de pedidos inesperados e confirmar informações antes de realizar ações importantes.
As mudanças anunciadas pelo WhatsApp representam mais um passo nessa direção.
A tecnologia pode criar novas barreiras para os criminosos.
Mas, no fim das contas, um dos melhores mecanismos de segurança continua sendo pensar antes de clicar, responder ou fornecer qualquer informação.