Imagine entrar em uma loja, gostar de um produto, perguntar o preço e, antes de comprar, pegar o celular para pesquisar se existe uma opção melhor. Essa cena, cada vez mais comum, mudou uma das regras mais antigas do comércio: não basta estar perto do consumidor, é preciso ser encontrado por ele. O celular virou uma nova vitrine, onde preço, avaliações, promoções e concorrentes aparecem em poucos segundos. Hoje, uma loja pode estar na esquina e perder a venda para outra que está a quilômetros de distância simplesmente porque apareceu primeiro na tela.
Marataízes tem uma vantagem que muitas cidades gostariam de construir: um comércio com identidade própria e espalhado pelo território. O Shopping a Céu Aberto reúne mais de 700 estabelecimentos em seu principal corredor comercial. Diferente de um shopping tradicional, não tem teto, paredes ou uma única entrada. A própria cidade é o shopping. E esse modelo pode ganhar uma nova dimensão se toda essa força comercial também estiver conectada no ambiente digital. O desafio não é criar novas lojas, mas fazer com que as que já existem sejam encontradas com facilidade por quem mora, visita ou compra em Marataízes.
Isso se torna ainda mais importante porque o comércio brasileiro mudou. O consumidor pesquisa cada vez mais antes de decidir e o celular passou a acompanhar praticamente toda a jornada de compra. Ao mesmo tempo, os pequenos negócios continuam sendo a base da economia local. Em Marataízes, a maioria das empresas é formada por microempreendedores individuais e microempresas. São comerciantes que muitas vezes cuidam da loja, do estoque, das vendas e das redes sociais ao mesmo tempo. Competir sozinho no ambiente digital é difícil. Competir em rede pode ser uma oportunidade.
Imagine, então, procurar por um produto no celular e encontrar primeiro as opções disponíveis em Marataízes. Ver a loja, consultar o produto, conversar com o vendedor pelo WhatsApp, reservar, comprar e escolher entre retirar no estabelecimento ou receber em casa. Não seria preciso criar uma nova gigante do comércio eletrônico. Seria possível fazer algo mais simples e mais próximo da realidade local: uma grande vitrine digital para os negócios que já existem. E, com o tempo, essa rede poderia revelar quais produtos são mais procurados, quais períodos movimentam mais o comércio e onde estão as principais oportunidades para os empresários.
É aí que o Shopping a Céu Aberto pode deixar de ser apenas uma ideia de organização comercial e se transformar em um verdadeiro projeto de desenvolvimento econômico. Segundo o Sebrae/ES, o comércio reunido no projeto tem potencial estimado de movimentar até R$ 60 milhões durante a alta temporada. O desafio passa a ser fazer esse dinheiro circular ainda mais dentro da própria cidade. Marataízes já tem as lojas, os comerciantes, os consumidores e o território. O próximo passo é conectar tudo isso. O shopping pode continuar sem teto, mas precisa ganhar alcance. E, no novo comércio, esse alcance começa na tela do celular.