A taxa Selic continua no centro das atenções em 2025. Com a inflação pressionada e um cenário global de incertezas, os juros básicos podem atingir 15,5% no primeiro semestre, conforme projeção da XP. O Comitê de Política Monetária (Copom) já sinalizou novas altas nas reuniões de março, de 1,00 ponto percentual (p.p.) na taxa Selic, chegando a 14,25%; maio, projeção de alta de 0,75 p.p.; e junho, +0,50 p.p., reforçando um cenário de aperto monetário.
O principal fator por trás desse movimento é o controle da inflação, que segue acima da meta. Segundo o economista da XP, Rodolfo Margato, a projeção da instituição financeira para este ano é uma inflação de 6%, com tendência de queda para 4,5% em 2026. “Ainda não atingimos a meta de 3%, mas há sinais de descompressão”, explica.
Se essa previsão se confirmar, o segundo semestre pode marcar o fim do ciclo de alta da Selic. A XP não descarta um cenário de estabilidade ou até mesmo cortes nos juros no final do ano, caso a inflação continue desacelerando. “Se o real ficar relativamente estável nos próximos meses e a desaceleração econômica se intensificar, o Copom poderá aumentar sua taxa básica de juros pela última vez em maio, ao invés de junho, como considerado em nosso cenário base atual. Se estivermos corretos, talvez ao final de 2025 ou início de 2026 já discutamos um ciclo de corte de juros”, acrescenta Margato.
Cenário favorece o investimento em renda fixa
O ciclo de altas de juros precisa ser observado pelos investidores que podem adotar novas estratégias para proteger seu patrimônio e alcançar um melhor retorno. Segundo o relatório “Onde Investir em 2025: seu guia de investimentos”, que apresenta as estimativas e a expectativa da XP Inc. para o ano, os títulos atrelados à inflação podem obter melhor rentabilidade.
“As opções de investimentos em renda fixa, sobretudo os que têm prazos de vencimento curto ou intermediário, são as melhores alternativas atualmente. Em 2024, estas foram as classes de ativos que lideraram os retornos no Brasil, acumulando mais de 12% ao ano. Com taxas próximas a IPCA+7%, esses títulos oferecem carrego atrativo, mesmo em cenários de repique inflacionário”, avalia Cecília Perini, economista e líder da XP em Minas Gerais e no Espírito Santo.
A especialista reforça que apesar do momento favorável para a renda fixa, a diversificação deve ser sempre considerada. “Os produtos de renda fixa têm apresentado uma melhor margem de ganho e estão atraindo os investidores, principalmente por oferecer estabilidade e segurança. Entre os mais buscados estão os títulos pós-fixados e o Tesouro Selic. Mas, esse movimento pode gerar oportunidades também na renda variável, com a oferta de papéis com valores mais competitivos, pensando no longo prazo. A diversificação deve ser sempre um mantra para quem investe, pois ajuda a proteger o patrimônio diante das variações do mercado”, recomenda Cecília.