A política vive um terceiro momento crucial em sua trajetória histórica, um marco divisor em sua linha do tempo. Do nascimento na ágora grega, passando pela releitura iluminista, a política enfrenta, atualmente, um desafio colossal: reinventar-se de acordo com um modo inédito de existir, que se dá tanto por meio de laços presenciais quanto por conexões digitais.
A ação política informacionalizada é veloz, multifocal, compartilhável e não hierarquizada, sendo mobilizada muito mais por influencers e apoiadores do que por lideranças estabelecidas no campo político.
É preciso destacar, também, que esse movimento ocorre em propriedade privada. As chamadas big techs controlam as plataformas, e seus algoritmos dão a feição das redes.
Nessa circunstância, os ciberterritórios conformaram-se como um mercado de captura e venda de atenção, dinamizado por polêmicas, pela lógica do “nós contra eles”, pela gestão do medo e pelos discursos de ódio.
Enfim, neste tempo de grandes mudanças, o fundamental segue em duas direções: compartilhar e sustentar valores inegociáveis da política emancipatória e abrir-se ao novo, inventando novas formas de fazer política, combinando o tradicional e o inovador, buscando o que cada um tem de melhor.
“O desafio está justamente em encontrar — ou inventar — as formas mais propícias à reconexão entre o ‘mundo da vida e da sociedade’ e o ‘mundo das instituições e do Estado’. Esse é o grande desafio da política democrática contemporânea”, alerta Fernando Henrique Cardoso, no livro Crise e Reinvenção da Política no Brasil.
A ação política é o caminho que temos para buscar êxito nessa empreitada desafiadora. Conforme estabeleceu Fernando Henrique Cardoso: “A política não é a arte do possível. É a arte de tornar o necessário possível. Em outras palavras, política é a arte de ampliar o campo de possibilidades, com convicção e esperança”.
Philipe Verdan
Política, Sociedade & Comportamento | Colunista: Philipe Verdan
Estatístico (UFES)
Pós Graduado Políticas Públicas e Sociais (USP)
Mestrado Profissional Gestão Pública (FGV)
Editor Chefe da SER Avaliação, Monitoramento e Complaice da Administração Pública e atualização pela (ENAP) em Sustentabilidade na gestão Municipal e a Avaliação Sócio-econômica de Projetos de Infraestrutura com aperfeiçoamento em Direitos Penais e Econômicos pela (FGV RJ)