Governança técnica domina debates durante o PDAC 2026
Brasileira Axía Mineração marcou presença no evento, considerado o maior do mundo voltado à exploração mineral, que reuniu mais de 32 mil participantes
No mês de março de 2026, Toronto recebeu mais uma edição da Convenção da Associação de Prospectores e Desenvolvedores do Canadá (PDAC). O evento, considerado o maior do mundo voltado à mineração e exploração mineral, reuniu mais de 32 mil participantes, incluindo empresas, investidores e especialistas do setor, consolidando-se como espaço estratégico para networking, negociações e debates sobre os rumos da indústria.
Durante quatro dias, centenas de palestrantes discutiram oportunidades e desafios que moldam a exploração mineral e o desenvolvimento de projetos no setor. O cenário foi marcado pela retomada dos investimentos e pelo fortalecimento das perspectivas de crescimento da mineração nos próximos anos.
Um levantamento da Data Bridge Market Research projeta que o mercado global deve atingir US$ 767,49 bilhões até 2032, impulsionado pela demanda por metais básicos como cobre, alumínio, níquel e zinco, além da rápida industrialização e expansão da infraestrutura nos setores automotivo e elétrico.
A Axía Mineração, empresa brasileira especializada em pesquisa exploratória de metais estratégicos, marcou presença na convenção. O geólogo Leonardo Prudente, diretor-executivo da empresa, lembra que as discussões do evento apontaram tendências que devem impactar diretamente o setor nos próximos anos.
"Governança é hoje um fator crítico de credibilidade, especialmente em projetos Greenfield. Investidores e parceiros estão cada vez mais atentos à capacidade das empresas de estruturar projetos com processos claros, transparência e controle técnico desde o início".
"Além disso, a padronização de processos, a rastreabilidade de dados geológicos e a clareza na comunicação técnica, alinhada a padrões internacionais como NI 43-101 e JORC, foram apontadas como fatores decisivos para aumentar a competitividade das empresas no mercado global de exploração mineral", acrescenta.
Outro destaque do evento foi o forte interesse em cobre e ouro, duas das commodities mais discutidas entre investidores e empresas durante o congresso. "O cobre segue forte no interesse de investidores e empresas, especialmente em projetos de grande escala, como os de pórfiro. O ouro também continua extremamente atrativo, com investidores priorizando projetos de boa governança, baixo custo operacional e potencial de geração de caixa rápido", observa.
Além desses metais, também foram discutidos lítio, níquel, grafita e elementos de terras raras, minerais essenciais para tecnologias relacionadas à energia limpa e à indústria de baterias.
Potencial competitivo em solo brasileiro
A Axía Mineração tem acompanhado o movimento de retomada dos investimentos por meio da aquisição de ativos estratégicos, como a jazida de cobre em Bom Jardim de Goiás, e da expansão de pesquisas em estados com alto potencial geológico, como Goiás e Tocantins.
"Estamos investindo continuamente em sondagem e estudos técnicos, priorizando projetos com maior potencial econômico e foco em minerais ligados à nova economia, como energia limpa e ouro. Nossa estratégia de crescimento é baseada em descoberta e valorização de ativos", afirma Prudente.
O executivo destaca ainda a qualidade técnica dos projetos minerais brasileiros como diferencial competitivo no cenário global. "O Brasil possui uma base geológica diversificada e pouco explorada, corpo técnico altamente qualificado e dados robustos e confiáveis. O uso crescente de tecnologias avançadas de exploração reforça essa vantagem. No caso da Axía, projetos com resultados preliminares positivos para cobre, ouro e terras raras reforçam o potencial competitivo", ressalta.
Apesar das vantagens, Prudente reconhece entraves que ainda limitam o setor. "A burocracia no licenciamento ambiental, a insegurança regulatória em algumas regiões e a infraestrutura logística limitada são desafios que precisam ser superados. Por outro lado, o país conta com grande disponibilidade de recursos minerais estratégicos, custos relativamente competitivos de operação e ambiente favorável à mineração voltada à transição energética", avalia.
"Esperamos avançar projetos de pesquisa para a etapa de operação, especialmente ouro e cobre em Goiás. A valorização de ativos minerais estratégicos, impulsionada pela demanda global, deve abrir espaço para parcerias e captação de investimentos. Nosso objetivo é consolidar a Axía como empresa de descoberta e desenvolvimento de ativos minerais, aliando inovação e responsabilidade ambiental", conclui.