Preservar a saúde dos ossos e das articulações com o passar do tempo é uma questão importante, principalmente para evitar dores persistentes, limitações na movimentação e o surgimento de doenças que se agravam no decorrer dos anos. Os dados ajudam a quantificar o problema. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), conforme divulgado pelo Jornal da USP, pelo menos 80% da população já experimentou ou irá experimentar dor na coluna, sendo a dor lombar a mais comum.
Ao longo da vida, alguns fatores que afetam a saúde dos ossos e articulações mudam, enquanto outros permanecem constantes. É o que explica o Dr. Marcelo Corvino Nogueira, médico ortopedista, especialista em ortopedia e traumatologia.
"Na infância e na pré-adolescência, os ossos humanos não são apenas menores, mas possuem uma composição e uma estrutura diferentes do osso adulto. São ossos mais maleáveis, mais povoados de células. No adulto jovem, os ossos já estão bem formados e são bastante fortes e resistentes. Nesta fase da vida, o ser humano costuma ser bastante ativo e os traumas são o principal motivo de problemas com os ossos e articulações." frisa.
O especialista destaca que a saúde óssea e articular é vital para manter a qualidade de vida, especialmente à medida que o indivíduo envelhece.
"Entre os 40 e 50 anos, os problemas dos ossos e das articulações costumam ter muita associação com o sedentarismo e com erros na condução de exercícios físicos. Um exemplo típico é o indivíduo que costumava praticar atividades quando mais jovem e que, após alguns anos parado, tenta reiniciar seus exercícios com a mesma intensidade que fazia anteriormente. O corpo, descondicionado, tem uma chance muito maior de apresentar lesões como estiramentos musculares e entorses articulares." exemplifica.
Ainda segundo o médico, após os 60 anos de idade, especialmente na mulher, devido às mudanças hormonais, já ocorre a tendência ao aparecimento da osteoporose. A osteoporose, se não tratada adequadamente, ocasiona fragilidade óssea e predispõe a fraturas.
"Para identificar precocemente os sinais de osteoporose, é recomendável que as mulheres, após a menopausa, realizem o exame de densitometria óssea uma vez ao ano, ou a cada dois anos, conforme recomendação de seu médico. Nesta fase, em especial, os cuidados com a alimentação são muito importantes. A ingestão adequada de proteínas, vitaminas, especialmente a vitamina D, e de cálcio é essencial para a saúde óssea." completa.
Dados do Ministério da Saúde, compartilhados pelo site da Sociedade Brasileira de Trauma Ortopédico (SBTO), corroboram as orientações. Nos anos de 2022, 2023 e de janeiro até julho de 2024, os atendimentos ambulatoriais por osteoporose no Sistema Único de Saúde (SUS) somaram 150.668 registros, enquanto os hospitalares alcançaram 322. Dos registros em ambulatório, cerca de 90% têm prevalência em mulheres, com 133.645 casos, em contrapartida a 17.043 registros da doença em homens.
O médico especialista ainda pontua que, em decorrência da variação dos fatores que influenciam a saúde osteoarticular nas diferentes fases da vida, a análise clínica inicial para cada grupo etário é diferente, o que torna imprescindível a avaliação de um profissional capacitado.
"Devemos estar sempre atentos ao nosso corpo. Dores persistentes ou que sempre ocorrem em determinadas atividades devem ser investigadas. Não são incomuns casos de lesão significativa de ligamentos, ou até mesmo alguns tipos de fraturas, nos quais a pessoa até consegue se movimentar e até mesmo se apoiar sobre o membro acometido. Isto não significa que nã há necessidade de avaliação e tratamento médico." aconselha o Dr. Marcelo Corvino Nogueira.
Particularidades e tratamento
"Os idosos já tendem a ter um metabolismo mais lento. Indivíduos com osteoporose podem apresentar fraturas por traumas leves, às vezes somente por cair da própria altura. As fraturas dos quadris são especialmente desafiadoras, demandando, em muitos casos, o tratamento cirúrgico, visando à reabilitação rápida da capacidade de locomoção, na tentativa de prevenir complicações, tais como a trombose venosa, a pneumonia e a atrofia muscular." compartilha o médico.
Já em relação às fraturas em atletas, destacam-se as chamadas fraturas por estresse. Estas fraturas não são ocasionadas por um único trauma intenso, mas pela repetição de pequenos traumas que geram fissuras ósseas.
"Um exemplo são as fraturas por estresse da tíbia, em corredores de longas distâncias, causadas pelo impacto repetitivo do peso do próprio corpo sobre este osso, ao longo de quilômetros de treinamentos e provas. As fissuras são dolorosas, mas, em um momento inicial, não impedem a continuidade da prática esportiva. Muitos atletas acabam procurando avaliação médica após meses de dor, quando o quadro já se intensificou a tal ponto de limitar a atividade esportiva." menciona.
Respeito com o tempo do próprio corpo
Há alguns cuidados básicos, que sempre devem ser observados quando o indivíduo quer reintroduzir atividades físicas após uma operação, adverte o médico.
"Um destes cuidados é fazer a reintrodução de forma lenta e gradual, dando ao organismo a oportunidade de se condicionar progressivamente. Outro cuidado é trabalhar não somente o fortalecimento muscular. A força não é o único atributo dos nossos músculos. Além de fortes, para que eles cumpram o seu papel, eles também devem ser resistentes, elásticos e coordenados. A reintrodução de exercícios é sempre mais segura quando os músculos estão recuperados." pontua ele.
Outro aspecto, que é especialmente relevante ao tratar de procedimentos cirúrgicos ortopédicos, é relativo à reabilitação pós-operatória. Os resultados de tratamentos cirúrgicos ortopédicos dependem tanto, ou até mais, da condução do processo de reabilitação do que do ato cirúrgico em si.
"É essencial que cada paciente seja compreendido como um ser único, com características próprias. Isto posto, o grande desafio da medicina em geral, e da ortopedia em particular, é apresentar abordagens diagnósticas e tratamentos cada vez mais individualizados e personalizados, para alcançarmos resultados cada vez melhores." propõe o Dr. Marcelo Corvino Nogueira.
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